Quando alguma coisa acaba a gente fica meio vazia, meio
fria, meio sem saber pra onde ir e o que fazer. E a dor que mais machuca é a do
vazio que fica quando tudo que te preenchia resolve partir. Resolve deixar de
andar do lado, de serem os pés e os braços, de serem olhos e a boca, de ser a
companhia que agora falta. Não existe maior medo do que o do dia seguinte, a
noite seguinte, a tarde seguinte, medo da ausência, medo de não conseguir ser
forte o bastante pra se sustentar, sustento de amor. Mas virar a página não
deve ser tão difícil, não querer largar aquele texto velho e gasto por tanto
amar, faz com que você fique cega e deixe de perceber o quão boa pode ser a
próxima página, ou não. Isso não dá pra saber, tenho medo de saber. Tenho medo
de preferir. Quando se apega demais, se machuca demais, mas machucar por
machucar é melhor machucar uma vez só. Vai passar, eu sei. Assim que eu
conseguir virar...