quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O amor

Quando pouco, falta.
Quando muito, sobra.
Quando solitário, machuca.
Quando a dois, completa.
Quando é de sangue, resiste.
Quando precisa, transforma.
Quando é pra ser, acontece.
Quando você menos espera, te acha.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O lar do amor

Timidamente as palavras se formam dentro do meu coração, como um muro que aos poucos vai sendo erguido, cada sinal de parágrafo e pausa, cada respiração e bocejos. Talvez incertezas sejam mais sólidas que verdades. E assim o muro vai subindo, cada tijolo que pende pra cair é um sinal de que tudo está no lugar. Menos as nossas mãos que a essa altura já deveriam ter se unido, mas deixa estar que o cimento da paixão há de cuidar disso. E as palavras tomam conta de mim, da minha noite, dos meus pensamentos e do meu coração, são elas que agora te dizem o quanto sua falta me falta. Assim como uma viga faz falta pro concreto. Mas vou empilhando os tijolos mesmo assim, deixando o tempo secar a massa corrida, rezando pra que tudo ainda esteja firme quando a vida resolver que moraremos embaixo desse teto qua ainda não tem como ser feito, porque as paredes não estão prontas, mas já está todo preparado pra cobrir e pra ser as estrelas testemunhas da inúmeras juras de dedos entrelaçados e bocas coladas e pernas emaranhadas que um dia há de acontecer. Está preparado, só esperando a hora chegar, você chegar pra colorir as paredes e pendurar a fotografia do nosso amor onde a lembrança sempre possa encontrar. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Tilin

Três horas da manhã e o relógio tilintando é todo o som que eu ouço, dentro de mim moram monstros, todos eles famintos comendo o que há em mim de dentro pra fora. Mais um tilin, agora já são quatro. Os monstros foram dormir cansados de roer os ossos podres. Minha mente começa a me levar pra um lugar molhado, sinto o cheiro do sal penetrando as minhas narinas, tem água por todos os lados que eu olhe. Meu corpo começa a imergir, os meus pés não encontram nada firme e os meus braços se batem desesperadamente, os monstros acordam, agora eles estão do lado de fora e começam a corroer a minha carne, enquanto meu corpo reluta em se render, sinto gosto do sal penetrando minhas narinas, agora arde, meus pulmões se banham em sal. Os monstros desintegram cada parte do meu corpo, que não rebate mais, sinto o sal queimar os ferimentos e percebo que a dor se adapta, ela machuca tanto que em certo momento eu não sinto mais nada. Mais um tilin e já são cinco horas, meus pés enfim se encontram firmes por cima de corais, percebo que já não respiro, nem consigo distinguir o que é sal e o que são lágrimas, repouso no coral, como se os monstros não quisessem mais os restos putrefatos do cadáver que ali repousa, e choro pelo dia ter amanhecido.