sábado, 4 de janeiro de 2014

Tilin

Três horas da manhã e o relógio tilintando é todo o som que eu ouço, dentro de mim moram monstros, todos eles famintos comendo o que há em mim de dentro pra fora. Mais um tilin, agora já são quatro. Os monstros foram dormir cansados de roer os ossos podres. Minha mente começa a me levar pra um lugar molhado, sinto o cheiro do sal penetrando as minhas narinas, tem água por todos os lados que eu olhe. Meu corpo começa a imergir, os meus pés não encontram nada firme e os meus braços se batem desesperadamente, os monstros acordam, agora eles estão do lado de fora e começam a corroer a minha carne, enquanto meu corpo reluta em se render, sinto gosto do sal penetrando minhas narinas, agora arde, meus pulmões se banham em sal. Os monstros desintegram cada parte do meu corpo, que não rebate mais, sinto o sal queimar os ferimentos e percebo que a dor se adapta, ela machuca tanto que em certo momento eu não sinto mais nada. Mais um tilin e já são cinco horas, meus pés enfim se encontram firmes por cima de corais, percebo que já não respiro, nem consigo distinguir o que é sal e o que são lágrimas, repouso no coral, como se os monstros não quisessem mais os restos putrefatos do cadáver que ali repousa, e choro pelo dia ter amanhecido.

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