sábado, 24 de maio de 2014
não tem título
A chuva bate abestalhada na janela do meu quarto, catei uma caneta e vim falar de nós, parece que a chuva me desperta seu cheiro, porque já fazia tempo que eu não vinha aqui deitar a cabeça no papel pra chorar a dor de ter perdido nós. Achei até que eu tinha me esquecido de que ainda doía, no meio das minhas tentativas de camuflar a minha vida ajudando a aliviar a dor dos outros. Porque é só isso que eu tenho feito, camuflada de alheios, viro os olhos para outras causas, tampando os olhos para as minhas causas e os ouvidos para esse inquilino que me habita e que só reclama a nossa falta. Tenho ignorado meu corpo também, que inclusive já deve estar quase apodrecendo, e amando os outros, porque não dá pra me amar sem amar você, você é parte de mim, e amar você nesse caso ainda dói. E afagar as dores dos outros me faz esquecer por alguns instantes, ou dias, ou meses, que eu deixei de me pertencer há 4 anos quando permiti que você bagunçasse a minha vida, desde então ninguém nunca mais soube o lugar certo das coisas.
Assinar:
Postagens (Atom)