sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Sou nós
Tô olhando pra nós, ou melhor, tô olhando pra essa folha branca aqui e enxergando nós. Tô vendo o nada que a gente é, e parei de me surpreender com a ausência do nós. Tornei o nós o sujeito desse verso, porque o nós era importante, coloquei o verbo no passado e no singular porque já não é mais tão importante, e porque já não sou mais nós. O nós já não existe! O nós é a lembrança. O nós é a minha lista de livros e filmes pro final de semana. O nós é a solidão das suas baladas repletas de gente e vazia de almas. O nós são os meus manuscritos, e as minhas psicologia loucas. O nós é aquela música que você coloca pra tocar pra se lembrar dos zumbis. O nós é tudo que ainda me faz falta, mas que eu coloco no passado para que ninguém saiba que ainda dói. O nós é o nó que fecha a minha garganta e me impede de dizer que ainda sou nós, e vivo, e respiro, e penso, e enxergo, e nego que sou nós.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Pot-pourri
Nunca te fiz nenhuma canção, mas já mencionei seu nome em todas as músicas que ouvi. Já tentei me transformar no que te agrada, mas não consigo ser as cores e as coisas que te prendem. E ai eu me pergunto se é que você pensa mim, porque não eu? Porque se a vida é como na canção, e todos os amores de antes me prepararam pra você, porque não eu? Eu posso ser a sua rua, sua chuva, sua fazenda ou a sua casinha de sapê. Eu não posso mais ser a sua melhor amiga, aquela que se acaba por dentro sempre você se abre e chora as dores de outro amor. Eu quero o calor da sua pele e da língua sua, quero as juras de amor ao pé do ouvido. Porque tudo me traz você e eu já não tenho pra onde correr. Eu sei que fomos feitos um pro outro, e pra durar, per(feitos) assim como uma luz que não produz sombras. Por isso que é pra você que eu guardo o amor que nunca soube dar. Então bate aqui de madrugada, esquece o tempo que passou se sorriu ou se chorou se amou ou se sofreu. Pega um telefone ou o avião, perdoa o que puder ser perdoado e esquece o que não tiver perdão. E pra gente ficar bem, deixa eu ser o seu nenê, e vamos para um tempo em que nada nos divida.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Ei mô
Tenho saudade da sua barba tímida, daquelas pontinhas de espinhas que só eu conseguia ver porque só eu chegava tão perto de você a ponto. Coisa estranha né? Tenho saudade do seu cheiro de trabalho. Dos seus dedos sujinhos de terra e cortados nas pontas. Tenho saudade daquele colo enorme no qual eu me entregava e dormia a noite inteira. Tenho saudades de ouvir a sua respiração pesada e longa, e de ficar ali parada olhando você enquanto a insônia me consumia, e ficar brincando com os seus dedos e você nem se mexer. Tenho saudades dos zumbis, tenho saudades da sua risada engraçada, das suas imitações. Tenho saudade de não ser mais de ninguém, só de você! Tenho saudade da sua mão áspera apertando a minha, e de me proteger do frio, dos perigos da rua e da noite escura. Tenho saudade da sua voz grossa e rouca no meu ouvido, e do seu sotaque abrindo o R. Tenho saudade de me sentir amada. Fico desconcertada, cheia de saudade, sufocada pra dizer tudo isso e sem poder, porque eu sei que você é indiferente, e que isso só existe na minha cabeça de psicopata. Eu toco a minha vida, mas eu sempre caio no mesmo ciclo e me vejo dependente de você, mais uma vez. Por mais pessoas que eu conheça, sempre procuro você em todas elas. Quero o mesmo sorriso bobo, a mesma cara de mal, mas eu não encontro. E tenho saudade do tempo em que eu era a sua morena e a gente ria sem parar e pensava em se casar..
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