sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Sou nós
Tô olhando pra nós, ou melhor, tô olhando pra essa folha branca aqui e enxergando nós. Tô vendo o nada que a gente é, e parei de me surpreender com a ausência do nós. Tornei o nós o sujeito desse verso, porque o nós era importante, coloquei o verbo no passado e no singular porque já não é mais tão importante, e porque já não sou mais nós. O nós já não existe! O nós é a lembrança. O nós é a minha lista de livros e filmes pro final de semana. O nós é a solidão das suas baladas repletas de gente e vazia de almas. O nós são os meus manuscritos, e as minhas psicologia loucas. O nós é aquela música que você coloca pra tocar pra se lembrar dos zumbis. O nós é tudo que ainda me faz falta, mas que eu coloco no passado para que ninguém saiba que ainda dói. O nós é o nó que fecha a minha garganta e me impede de dizer que ainda sou nós, e vivo, e respiro, e penso, e enxergo, e nego que sou nós.
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