segunda-feira, 1 de outubro de 2012

pra você

Hoje eu acordei assustada, chorosa e morrendo de raiva! Sonhei com você, o pior de todos os sonhos, então eu vou te contar o meu sonho. - Eu fui te procurar na sua casa e encontrei uma carta que tava escrito: " Eu (o teu nome) não suporto mais ficar sem você (um nome que não era o meu) Por isso eu to indo embora, tudo que eu mais queria era que você voltasse a ser a minha. Nessa lista tem todo mundo que é importante pra mim e que eu vou sentir falta. " E tinha uma lista enorme, com fotos e nomes de todo mundo que você conhece, e la no finalzinho, sem foto sem nada, tinha o meu nome, com o sobrenome escrito de maneira errada. Eu sai da tua casa chorando, e acordei! - E fiquei chorando e pensando em engolir todo o meu orgulho pra ir ficar com você, ir cuidar de você, ir dizer o quanto eu te amo e quero você do meu lado, e o quanto ta sendo difícil ficar sem você esses dias. Dizer que eu passo o dia inteiro olhando sua foto, que eu já decorei cada um dos seus gestos, suas mãos branquelas e os dedos longos, suas bochechas fundas e magrelas, teu bico tentando fazer uma cara de mal, seus ombros largos, seu olho pequeno, sua sobrancelha larga, seu sorriso tímido, quase que inexistente. To com saudade, de te ouvir sorrir, de te ouvir me chamar de fedorenta, de me pirraçar, de me sentir amada de novo, porque isso é a unica coisa que me deixa bem. Eu quero você todo dia, todo instante, e eu não sei como dizer, eu to precisando do teu amor aqui comigo. Você é tudo que mais me importa. recusa

terça-feira, 3 de julho de 2012

medo de virar a página


Quando alguma coisa acaba a gente fica meio vazia, meio fria, meio sem saber pra onde ir e o que fazer. E a dor que mais machuca é a do vazio que fica quando tudo que te preenchia resolve partir. Resolve deixar de andar do lado, de serem os pés e os braços, de serem olhos e a boca, de ser a companhia que agora falta. Não existe maior medo do que o do dia seguinte, a noite seguinte, a tarde seguinte, medo da ausência, medo de não conseguir ser forte o bastante pra se sustentar, sustento de amor. Mas virar a página não deve ser tão difícil, não querer largar aquele texto velho e gasto por tanto amar, faz com que você fique cega e deixe de perceber o quão boa pode ser a próxima página, ou não. Isso não dá pra saber, tenho medo de saber. Tenho medo de preferir. Quando se apega demais, se machuca demais, mas machucar por machucar é melhor machucar uma vez só. Vai passar, eu sei. Assim que eu conseguir virar...

terça-feira, 15 de maio de 2012

uma vez porquinha ...

Ele: minha mãe falou que eu tava ridículo, eu falei que a minha namorada gosta, e além do mais ta muito frio pra tomar banho, vou virar porquinho igual você..
Ela: fica assim, e imagina como eu to aqui nesse frio (risos)
Ele: vou sair na rua assim... com esse frio ai é que você não toma banho nunca
Ela: vá para a rua assim e eu extraio as suas genitais. Eu tomo de manha ainda por cima, ok?
Ele: ui, ela é bravinha ... Que evolução em?
Ela: sou uma menina cheirosa, ok?
Ele: você é porquinha, mo.. vai sempre ser minha porquinha!
Ela: mas eu tomei banho pra ir te ver, tava a mais cheirosa e a mais linda!
Ele: você ta a mais linda sempre.
Ela: queria que você me visse quando acabo de acordar (risos)
Ele: eu iria rir, provavelmente, mas ia te achar linda mesmo assim
Ela: até parece que ia rir, ia estar ocupado demais me dando beijos bafentos
Ele: você acorda com bafo, eu acordo cheiroso! Mas sempre arrumo tempo
Ela: ta bom que você acorda cheiroso (risos irônicos)
Ele: vem aqui acordar comigo então
Ela: ai você vai acordar feliz, e não cheiroso
Ele: e quando vai ser assim mo?
Ela: não sei, vai pedindo pra Papai do céu!
Ele: eu to pedindo, todos os dias.

sábado, 12 de maio de 2012

a praça

Eu quis escrever alguma coisa hoje, mas quando eu pensei em escrever eu me dei conta de que hoje qualquer coisa que eu escrevesse seria melancólica demais, triste demais, fria demais, dura demais, sem você demais. Porque essa vida cíclica? É sempre assim, desistir, olhar pra cima, sonhar de novo, ver você, esticar as mãos, tentar te alcançar, cair ainda mais fundo, desistir, olhar pra cima, sonhar de novo e de novo e de novo... E hoje você perguntou se seria o fim, e eu me perguntei se haveria mesmo um fim, porque eu perdi as forças; eu olhei pra baixo, eu perdi o chão e já perdi as contas de quantas vezes isso aconteceu... Mas ai eu vejo o seu sorriso, e eu quero alcançá-lo de novo, e o quanto ele me faz bem, mesmo que dai de cima, tão longe. Eu sei que você quer me tirar daqui, eu sei que você se esforça e eu não sei porque a vida insiste em me jogar pra longe de você de novo, eu não sei porque eu queria entender, a gente tinha tanto pra dar certo. Eu conto nos dedos quantos amores existem no mundo iguais ao nosso, alias eu conto com um dedo. Mas não consigo contar quantas vezes eu já desistir e desisti de desisti. E chorei, e enxuguei porque o que mais dói na minha vida é saber que eu posso ter tudo, menos a única coisa que eu quero. E é da certeza desse amor infinito, que eu tiro forças e esperanças que são finitas não sei de onde, eu cato todos os meus cacos e vou lutando de novo, porque eu sinto uma dor imensurável quando penso em desistir, eu só queria por uma vez saber como é o gostinho de estar ai em cima do seu lado, de tocar o teu sorriso com o meu sorriso. E de te amar como muito mais do que já amei aqui desse lado. E hoje tudo o que eu queria era me encontrar no seu ombro e chorar por todas as vezes que eu pensei em perder você de mim, e chorar por todas as vezes que desistir, e chorar por todas as vezes que eu estava sozinha e sem você, e depois de ter lavado tudo dentro de mim, eu só queria que você me preenchesse com todo o seu amor, e me transbordasse e só parasse depois que todas estrelas se apagarem no céu e o nosso escuro fosse suficiente pra iluminar tudo dentro de nós.

terça-feira, 24 de abril de 2012

quase borboleta

Quando eu era pequena acreditava que ser mulher era simplesmente usar batom e salto alto, beijar na boca e não dormir às oito. Gostaria de poder estar certa, gostaria de não ter amadurecido tanto o quanto foi preciso, mas ao mesmo tempo agradeço, por ter crescido tanto a ponto de reconhecer o quão grande e sábio eram os meus pensamentos infantis, mesmo que estivessem errados. E enquanto o meu corpo não cresce tanto quanto a minha mente já cresceu, eu vou fingindo que ainda sou pequena empresa, para driblar certos impostos que mesmo tendo condições e porte pra enfrentar, ainda não os quero. Eu vou fingindo, que a minha laranja ainda está verde para evitar que ela seja arrancada do pé, e vou ficando mais azeda, e formando um escudo banal pra me proteger da vida. E talvez seja esse escudo que não me permita ser completamente mulher, e por enquanto vou sendo somente uma quase mulher, e seria hipocrisia dizer que não existe receio algum nisso, se não houvesse não seria necessário escudo algum. Quase mulheres usam batom, sapatos altos, beijam na boca e dorme bem depois da oito, mas isso não as tornam completamente mulheres. Ainda é necessário que o casulo se quebre e que a borboleta realmente se mostre, mesmo que isso a exponha aos perigos, eles são necessários. É necessário se deixar amadurecer, deixar com que o azedo da laranja de lugar ao doce, e mesmo isso a tornando atraente e vulnerável, essa é a intenção da natureza. Para ser completamente mulher, eu só preciso entender que ser quase mulher, e ter medos e inconstâncias, e ter receios é bom; até o dia em que as asas estejam completamente formadas e então o escudo não será mais necessário porque se passar desse dia, deixará de ser um escudo e passará a ser uma prisão. E mulheres completas não se prendem a nada.

sexta-feira, 30 de março de 2012

; ponto e virgula

eu queria dizer que não está bom; me perdoa por não saber viver sem você? que que isso tá patético demais. Talvez a gente possa conversar, eu ainda te amo, para de tanta loucura pelo amor de Deus. Rescrever como te pedir perdão eu não sei, não sei como penso nisso, muito menos o que penso, não sei porque o fiz, não sei do que eu me arrependi, e não sei do que você se magoou, só sei que esse silêncio fúnebre me assusta, e os seus lábios não parecem atraentes quando trémulos de dor. Eu queria ouvir a sua voz, pelo menos por dois segundos que fossem, dois segundos que me fizessem voltar a dezembro, quando o ar puro enchia nossos pulmões, e te fazia respirar o mesmo aroma doce que eu inalava. Queria que os teus vícios não estivessem acima de mim, que a dor que você sente pela abstinência da droga não fosse maior que o amor que você sente por mim, queria que não tivesse existido uma pausa; uma longa pausa. Algo maior que uma virgula, mas não tão duro quanto um ponto final. Nem mesmo um ponto final cesária o amor que tenho por ti. Talvez por isso que eu goste tanto dos pontos e virgulas quando juntos, um sobre o outro, como nós! Você é o ponto, e eu sou a virgula, você encerra os meus sonhos e eu sou somente os pequenos espaços entre o tempo que você não passa alucinado e louco e o tempo que você passa lúcido e amável. Você passa por mim, e me deixa passar, e não se importa em me ver passando, e não se treme quando me ver de longe, de costas; e não sente o mesmo vazio que eu sinto, e não ouve o silêncio fúnebre que eu tanto temo. Você corta os meus sonhos sem me dar chance de recomeço, mas mesmo assim eu recomeço, porque o meu amor não tem ponto, somente outro ponto acompanhado de mais dois pontos, uma fileira com três pontos! Mas porque três? Porque somente dois não bastam? Nunca bastam. Dois pontos sempre vêm acompanhados de alguma coisa, e três parece um infinito de amor sem fim. Redundante? Talvez. Foda-se; a vida é redundante. Ela insiste em me dizer com todos os pontos, virgulas, palavras e letras sem sentido algum que o único sentido que eu realmente preciso é você. A única ordem lógica que o meu cérebro reconhece é aquela que segue dos seus lábios até o seu zíper, e mais três pontos sem fim. Me deixa ser a pausa mais longa da tua vida, me deixa ser todo o teu texto e não somente os espaços para respirar entre eles, eu quero me sentir como o conteúdo, e enquanto eu não o for, dois pontos só não vão me bastar. E eu vou querer outro ponto, e você vai continuar encerrando os meus sonhos, e eu vou continuar não sabendo como te pedir desculpas por insistir novamente em te amar. Até que se acabe sem pontos e sem nada

demorou pra clarear

as manchas do rímel borrado na fronha do meu travesseiro branco me fazem lembrar o quanto a noite passada demorou a acabar, não sei se é possível em apenas uma noite eu viver tudo que vivi em um ano, recordei-me dos nossos sonhos e de tudo que não vivemos ainda, me lembrei também do que estaria por acontecer, mas não aconteceu, não culpo o nosso amor ele sempre foi tão forte; não culpo os nossos erros porque eles sempre nós ajudaram a crescer juntos; não culpo a raiva que tomava conta de nós nas muitas brigas porque ela nós aproximava ainda mais na reconciliação; não culpo o tempo nem o destino porque ele sempre esteve a nosso favor e porque seria diferente no fim? Talvez nada ou ninguém tenha culpa, suponho que nem haja uma culpa para nós, e foi isso que me fez chorar na noite passada, eu só queria entender por um segundo porque não deu certo, porque você se foi de mim, nós eramos tão perfeitos. A minha fronha não vai continuar manchada porque eu irei lavar, mas cada lágrima derramada continua intensa em mim e manchando o meu coração que não pode ser lavado, mas se você quiser ele vai continuar aqui pra você, mesmo sujo ele vai ser seu pra todo o resto do nosso sempre... sem fim

porquinha feliz


Ela: eu não quero ir, o seu charme não me deixa ir a culpa disso é sua
Ele: eu vou dar uma volta e você vai ..
Ela: não, fica ai que eu vou te contar uma história.
Ele: Ta fala
Ela: no inverno rigoroso os porcos espinhos costumavam morrer de hipotermia, mas se eles morressem sempre, não ia mais ter porco espinho no mundo, ai você pergunta como eles fizeram?
Ele: o que eles fizeram?
Ela: eles ficaram numa caverna beeeeeeeeeeem grudadinhos um no outro, e o calor que eles passavam não deixavam ele morrer, mas o porco espinho tem espinho! Ai você pergunta: e eles não se furavam e machucavam?
Ele: e eles não se furavam e machucavam?
Ela: Sim, mas o que é melhor? um furinho de nada ou morrer de frio?
Ele: deve ser o furinho (risos)
Ela: as vezes nós precisamos aguentar pequenos furinhos da vida pra não perder ela
Ele: é a moral da historia?
Ela: era pra ser (risos)
Ele: ta bom, agora vai tomar banho vai porquinha sem espinhos
Ela: e as vezes precisamos aguentar pequenos cheirinhos incômodos pra não desgrudar!

mais risos e água

recordar

um texto que me trás sentimentos antigos, e que eu gosto!
Eu passava as noites imaginando porque não deu certo, porque, sinceramente? Nós tínhamos tanto para dar certo. As lembranças do futuro que nós gostávamos de imaginar ainda me perseguem... eu vejo você entrando pela porta e sentando no sofá da sala e sorrindo enquanto a sua filha te pergunta quem foi o seu primeiro amor e você responde: Ela está na cozinha fazendo macarrão pra gente. Eu me vejo cozinhando o teu macarrão ao molho branco e lavando o pequeno corte que faz o branco dos meus dedos ficarem rubros eu me vejo feliz ao teu lado na vida que a gente sonhou... Sonhou! Trocaria o pequeno ardor na ponta dos dedos por essas feridas recém abertas no meu coração. Trocaria tudo, por você aqui... Abro os olhos e a visão da nossa casa se torna turva e tudo que eu vejo é a parede branca do meu quarto, eu queria ter de novo aquela certeza de que o nosso para sempre não acabaria, mas não sei o que fazer com esse amor, concentro minhas forças em parar de pensar em você e é inútil. Então eu saio do quarto e vou tentar buscar algum ar que não tenha o teu cheiro, mas lá está você, e você está sorrindo e parece feliz, eu quero parecer feliz também, quero fazer parecer que a minha vida também seguiu e assim como você não precisa de mim eu também não preciso de você. eu queria sorrir, mas toda a energia do meu corpo está voltada para eu não cair. E você passa por mim, eu sinto o seu cheiro mais forte, não sinto nenhum membro do meu corpo, e eles não me respondem. Eu forço um sorriso porque a voz teima em não sair e você passa e logo some e eu me sinto como uma estranha para você, uma estranha que ainda guarda todas as suas vontades, e volto para minha casa, e de novo a parede branca cega os meus olhos e eu os fecho e inundo-os de água, e ao abrir novamente eu não consigo pensar em mais nada.

prefácio


Bom, eu queria registrar nesse blog as minhas novas experiências como uma mulher. Sim, mulher! Não tenho nenhum interesse em me auto-promover, nem qualquer marketing do tipo; são sentimentos e pequenas novas emoções que se lerem ou não, pra mim tanto faz, eu só registro porque acho que a escrita é um tipo de fotografia do tempo, e todos os momentos que forem fotografados a partir de agora serão de eterna importância pra mim, como esse trecho do Mario de Andrade que descreve bem esse nosso momento.


"...Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão o prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para que me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessantíssimo... E não quero discípulos. Em arte: escola=imbecilidade de muitos para vaidade dum só. Poderia ter citado Gorch Fock. Evitava o Prefácio Interessantíssimo. "Toda canção de liberdade vem do cárcere".