Cansada de correr do medo, parou. Sentou em sua frente, pousou seus olhos fixos bem em cima dele e ficou ali, reparando em tudo que a assombrava. E de repente o monstro foi começando a diminuir, seus olhos não pareciam mais tão vermelhos e seus dentes perderam a solidez. O medo foi ficando franzino, pequeno e murchinho perto da sua nova concepção. E ela se maravilhou com o poder que tinha em seu olhar, queria olhar pro mundo de um modo diferente agora, queria mudar as coisas que te amedrontavam. E mais do que ficar franzino, ele de repente sumiu. O que tanto te afligia desapareceu, e o seu olhar ficou mais vivo pro resto do mundo. Enxergou o amor e logo depois a coragem, e a beleza que havia em sua combinação, enxergou também a primavera que surgiu depois da morte do medo. E foi aprendendo a conviver com as flores sem deixar que os espinhos te assombrassem, aprendeu sobre o seu perfume e delicadeza, e isso ofuscou o medo de toda possível dor. Por fim, viveu.