Não sou do tipo que consegue segurar o amor. Quando ele
nasce em mim, deixo que viva. Deixo que me tome pelas mãos e me conduza para
onde bem quiser. Eu confio nele e para ele deposito todas as minhas cartas, de amor
e de alma. Deixo que ele envolva, me mime e me expluda. Depois me cato, vou buscando cada pedacinho
meu em um canto diferente, me perguntando por que raios eu fui deixar isso
acontecer, por que não segurei a droga do amor. E logo passa, e quando dou por
conta já estou procurando cacos de novo. Olhando em volta, pra ver se tem alguma
dinamite a vista, se tem alguma emoção me esperando, porque é isso que mantêm
meu corpo em pé, minha alma viva. Os encontros, os mimos, as desilusões, os
percalços, as tardes doces; são os porquês do meu coração. E ainda que doa, acalma.
Ainda que expluda, renova. Ainda que esfrie, espera. Por isso eu não consigo
segurá-lo, porque preciso disso tudo o tempo inteiro. Então me expluda, querido
amor. CABRUM
Nenhum comentário:
Postar um comentário