quarta-feira, 16 de outubro de 2013

La calle

Hoje a tarde quando estava voltando pra casa a chuva caia fininha pela rua, tive então um súbito pensamento em você, um cheiro de café penetrou meu coração e enquanto atravessava a rua para ir até a cafeteria, um raio de sentimento me tomou. Lembrei do seu "Bom dia" que às vezes me soa tão sem amor, lembrei do sorriso instantâneo que ele me causou. Aquele "bom dia" perfumado de café, sem o qual eu já não me imagino. Mesmo às vezes seco e oposto a minha chuva, tão molhada e fria. Deixei que os pingos me molhassem lentamente, e que os sentimentos cobrissem meu coração. A chuva já não importava, ela lavou os percalços até ali enfrentados, o que me inundava agora era diferente, tinha gosto de poesia, tinha os seus olhos e tinha uma vontade incontrolável de ter as mãos embaraçadas nas suas. A rua de repente ficou bem grande, e os coqueiros da praça iam sumindo atrás de mim, todos os sentimentos do mundo embaralhados na minha caixinha pulsante. Quando a calçada enfim chegou, percebi que os carros ainda estavam parados pelo vermelho aceso e dei mais uma olhada pro que ficou pra trás. Não tive dúvidas, havia um café quente e maravilhoso me esperando.

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