segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Versos de fronhas
Tô guardando sonhos no verso da minha fronha, escrevendo cada verso em tinta preta pra não desbotar nem manchar. Nas pilhas de palavras embaralhadas encontrei seu nome vinte vezes. Perdi depois. São tantos sonhos misturados que eu te confundo com os retratos velhos que agora tomam uma cor sépia dentro dos meus pensamentos. Viver já não é questão de respirar - nunca foi - e a minha fronha me mostrou que preciso desse embaralhado de tudo debaixo da minha cabeça todas as noites. Sentindo os sonhos todos ali, durmo tranquila. Ciente de que no dia que eu resolver tirá-los da fronha para vivê-los, eles estarão seguros e puros. Guardei todos eles, bem pertinho de onde eu jamais posso esquecer. E o conforto de tê-los, descansa minha nuca. São sonhos - nada mais ou tudo isso - feitos de pedaços de amor e dor, feitos de lembranças e esperanças, feitos de bolinho de chuva com café, feitos de você que se quebrou de mim e feitos desse outro você que se achegou a mim. São sonhos, simples e guardadinhos no pousar da minha cabeça.
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